ESTÓRIA COMUM
Em uma pequena cidade do interior, talvez ela refizesse sua história. Carregava no ventre uma nova vida em formação. Seus pais eram humildes: um vendedor ambulante e uma faz-tudo em diversas casas nos arredores do bairro em que viviam.
Filha única, Carmem engatara namoro com afamado playboy da cidade. Achara que o futuro seria promissor com este enlace. Mas o jovem só queria diversão e no auge das bebedeiras, acabaram por fazer um filho. No início, a menina ficou radiante: Resolveria os problemas relativos a dinheiro. Mas o rapaz, pego de surpresa, não queria saber de casamento. Os pais dele queriam pagar pelo aborto. A moça reagiu mal à idéia e sugeriram então encaminhar o fruto da concepção para adoção. À revelia, dona Cândida procurou instituições que encaminhavam os nascituros para famílias abastadas que não podiam gerar seus próprios filhos.
Apesar de preocupados, os pais não conseguiram fazer a menina mudar de opinião. Pensaram em adotar a criança como irmão e mais tarde, quando adulta, em momento propício, tomaria conhecimento da realidade. A moça entristeceu-se por ver ir por água abaixo, os planos de enriquecer. Prometeu então, pensar a respeito. Um casal próximo à família interessou-se pela adoção e apesar de achar que resolvera o problema, imaginou o filho residindo próximo com outro nome. Imaginou-o chamando outra mulher de mãe e a tristeza de seus pais, que veriam outras pessoas exercendo seu papel de avós... Foram dias terríveis para os envolvidos. Resolveu dar um tempo e não falou mais em dar o bebê. Seus pais, percebendo que a gravidez chegava ao fim, decidiram vender o pouco que possuíam: uma singela casinha e parcos objetos de valor, deixando-a decidir para onde iriam, uma vez que ela adiantara a maternidade sem completar os estudos.
A família do rapaz suspirou aliviada por verem-se livres do fardo e concordando com a adoção em outro estado, entregaram-na boa soma em dinheiro. Livraram-se do problema arranjado aos dezesseis anos pelo filho desmiolado.
Partiram então para uma cidadezinha no interior de São Paulo. Uma vez instalados. Seu Carlos, conseguiu empregar-se em uma panificadora local e compraram casa simples, porém confortável, espaçosa e arejada. O lugar era atraente com ar puro e muitas flores. Criaram novo ânimo e, mãe e filha foram ao Posto de Saúde a fim de realizar exames. O parto seria em breve.
Dr. Anibal, apesar do nome, era jovem (menos de trinta anos). Encantou-se pela gestante novinha, algo raro nas redondezas. Iniciaram sólida amizade. Quarenta dias depois da mudança, nasce Hugo. Nome escolhido em homenagem a um tio querido que morrera tempos atrás. A novidade traria muitas alegrias para todos. Parecia um anjo de tão lindo... Uma pintura!
O tempo passou...
Dona Cândida, solícita e prestimosa, cuidava do pequeno enquanto a jovem reiniciara os estudos e fazia um curso especializado de enfermagem. Dois anos depois, viria a ocupar a vaga deixada na unidade de saúde após aposentadoria de dona Cinira. Uma senhora muito bondosa que tratara de Carmem. Fora idéia sua preparar a moça para substituí-la mais tarde.
Com a proximidade, Anibal e Carmem apaixonaram-se. Hugo crescia a olhos vistos e não raro,acompanhava o casal em seus passeios. Como estava feliz por ter assumido seu lindo bebê! Tudo estava muito bem e ao acompanhar as gravidezes das mães que chegavam ao posto, sentia-se habilitada a aconselhar e cuidá-las. De vez em quando, via-se como em um espelho. Mas o tempo cura tudo e logo nem se lembraria daquela época inconsequente de sua vida.
O doutor pediu-a em casamento. Pouco tempo depois, Hugo ganha uma maninha. Seus pais agora mais envelhecidos, agradecem a Deus por terem mudado de estado e pela filha ter amadurecido. Eles ganharam com o casamento, mais um filho e agora dois netinhos.









