quinta-feira, 14 de agosto de 2014






Sem rumo
Onde encontrar poesia?
Em semblantes afáveis, inexpressivos... onde?
Em carrancas assustadoras... normal?!
Na percepção de vida... onde?
Em mãos atadas que não plantam, não colhem?
Em pensamentos fugidios, no espaço lúgubre?
Loucura simples, só.
Na brandura de espírito espezinhado pelo amor... que amor?
Desumanidade. Indiferença.
-Vá maltrapilho pedinte, até o outro lado da rua... vá!
Onde os olhos ignoram as mãos em prece
Estendidas por um pedaço de pão:
- Volte depois, estou sem tempo!
-Um copo de água?..
A porta fecha antes que se fale do cansaço, da fome, da sede...
Apazigua com o roncar de entranhas a esperança
E segue pela estrada que vai dar em lugar nenhum.


segunda-feira, 11 de agosto de 2014







Soldado do coração

O menino nasceu ruivo e branco como uma cera. Logo, os fios foram clareando e tornou-se louro como os primos em sua infância. Quando ainda pequeno, com idade entre dois e quatro anos, desmontava, junto com o irmão, os bonecos de super-heróis que ganhavam: trocavam cabeças, braços e pernas e utilizavam esmalte vermelho (escondidos) vale lembrar, para justificar perdas e ganhos nas lutas com os adversários.
Devido a uma otite recorrente, por não escutar bem, quase não falava. Balbuciava sons decifrados apenas pela mãe e irmãzinha mais velha. Era o protetor do irmão, apesar de mais novo, nas investidas de amiguinhos maiores e mais fortes.
Cresceu disciplinado e curioso, desmontava e consertava as bicicletas que possuíam. Ainda hoje, realiza consertos no lar junto com o pai: chuveiros, encanamentos etc, apesar de atarefado com estudos e trabalho.
Dedica-se muito a especializações dentro de sua área e no próximo ano, estará concluindo a universidade. Dinâmico, centrado, porte atlético, cavalheiro e um belo rapaz, com um vozeirão firme, que em nada, lembra o menininho de fala complicada do passado.
Muito rigoroso com horários, prazos, alimentação e carinhoso com a família. No alistamento militar, torceu para sobrar como reservista, para não atrapalhar seus projetos. Expressa-se bem e é muito querido por todos que o cercam. 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

                                                

Jovem


Amanhece. Não um dia limpo e cálido . Mas frio, de nuvens escuras. Uma chuva fina cai sobre a cidade. 
O que vestir?
 Algo que proteja o corpo gripado, mas não aumente a temperatura em demasia: no metrô sobra calor humano!
 Início de estágio. Quanta ansiedade!
 A aparência não deve ser menosprezada: fazer a barba que cresceu durante o final de semana... Mas a cachorrinha deu-lhe um abraço de boa sorte e uma cabeçada no lábio superior. Se a lâmina piorar o incidente? Deve arriscar? Barba feita. Aspecto sem dúvida, melhor.
 Escolhe um jeans praticamente novo. Vasculha no armário paterno uma camisa social para sobrepor à camiseta juvenil sem estampa. Usa um perfume suave (as meninas reparam).
 Sai apressado rumo ao ponto de ônibus, não sem antes despedir-se de uma mãe orgulhosa que lhe reitera os cuidados fora do lar. Lá vai, rua abaixo, seu menino. 
 Ela então pede aos céus proteção a este moreno cheio de sonhos e expectativas, que com certeza, terá um futuro luminoso.