quinta-feira, 17 de outubro de 2013

                                           
 ESTÓRIA COMUM
        Em uma pequena cidade do interior, talvez ela refizesse sua história. Carregava no ventre uma nova vida em formação. Seus pais eram humildes: um vendedor ambulante e uma faz-tudo em diversas casas nos arredores do bairro em que viviam.
        Filha única, Carmem engatara namoro com afamado playboy da cidade. Achara que o futuro seria promissor com este enlace. Mas o jovem só queria diversão e no auge das bebedeiras, acabaram por fazer um filho. No início, a menina ficou radiante: Resolveria os problemas relativos a dinheiro. Mas o rapaz, pego de surpresa, não queria saber de casamento. Os pais dele queriam pagar pelo aborto. A moça reagiu mal à idéia e sugeriram então encaminhar o fruto da concepção para adoção. À revelia, dona Cândida procurou instituições que encaminhavam os nascituros para famílias abastadas que não podiam gerar seus próprios filhos.
        Apesar de preocupados, os pais não conseguiram fazer a menina mudar de opinião. Pensaram em adotar a criança como irmão e mais tarde, quando adulta, em momento propício, tomaria conhecimento da realidade. A moça entristeceu-se por ver ir por água abaixo, os planos de enriquecer. Prometeu então, pensar a respeito. Um casal próximo à família interessou-se pela adoção e apesar de achar que resolvera o problema, imaginou o filho residindo próximo com outro nome. Imaginou-o chamando outra mulher de mãe e a tristeza de seus pais, que veriam outras pessoas exercendo seu papel de avós... Foram dias terríveis para os envolvidos. Resolveu dar um tempo e não falou mais em dar o bebê. Seus pais, percebendo que a gravidez chegava ao fim, decidiram vender o pouco que possuíam: uma singela casinha e parcos objetos de valor, deixando-a decidir para onde iriam, uma vez que ela adiantara a maternidade sem completar os estudos.
        A família do rapaz suspirou aliviada por verem-se livres do fardo e concordando com a adoção em outro estado, entregaram-na boa soma em dinheiro. Livraram-se do problema arranjado aos dezesseis anos pelo filho desmiolado.
        Partiram então para uma cidadezinha no interior de São Paulo. Uma vez instalados. Seu Carlos, conseguiu empregar-se em uma panificadora local e compraram casa simples, porém confortável, espaçosa e arejada. O lugar era atraente com ar puro e muitas flores. Criaram novo ânimo e, mãe e filha foram ao Posto de Saúde a fim de realizar exames. O parto seria em breve.
        Dr. Anibal, apesar do nome, era jovem (menos de trinta anos). Encantou-se pela gestante novinha, algo raro nas redondezas. Iniciaram sólida amizade. Quarenta dias depois da mudança, nasce Hugo. Nome escolhido em homenagem a um tio querido que morrera tempos atrás. A novidade traria muitas alegrias para todos. Parecia um anjo de tão lindo... Uma pintura!
        O tempo passou...
        Dona Cândida, solícita e prestimosa, cuidava do pequeno enquanto a jovem reiniciara os estudos e fazia um curso especializado de enfermagem. Dois anos depois, viria a ocupar a vaga deixada na unidade de saúde após aposentadoria de dona Cinira. Uma senhora muito bondosa que tratara de Carmem. Fora idéia sua preparar a moça para substituí-la mais tarde.
        Com a proximidade, Anibal e Carmem apaixonaram-se. Hugo crescia a olhos vistos e não raro,acompanhava o casal em seus passeios. Como estava feliz por ter assumido seu lindo bebê! Tudo estava muito bem e ao acompanhar as gravidezes das mães que chegavam ao posto, sentia-se habilitada a aconselhar e cuidá-las. De vez em quando, via-se como em um espelho. Mas o tempo cura tudo e logo nem se lembraria daquela época inconsequente de sua vida.
        O doutor pediu-a em casamento. Pouco tempo depois, Hugo ganha uma maninha. Seus pais agora mais envelhecidos, agradecem a Deus por terem mudado de estado e pela filha ter amadurecido. Eles ganharam com o casamento, mais um filho e agora dois netinhos.

            

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Tributo a Gonçalves Dias

Que poeta serias nos dias de hoje?
És ainda tão atual nos escritos...
Exaltas o amor verdadeiro
Sofredor por escolha dos costumes.
Quem neste mundo não sofre
Ou mesmo morre de amores por outrem?
Quem pode julgar tradições
Tão arraigadas pela época?
Fazes falta, poeta!
Como o fazem as pessoas dignas, laboriosas.
Quem pode julgar tantos dissabores?
Amaste, sobretudo respeitaste a linhagem
Tão nobre da amada!
Injustos foram contigo...
Mas acredito como nas histórias de sonhos
Que reunidos estão:

Antônio e Ana!
Que talvez precisassem passar por agruras
Para mais tarde ficarem juntos
O amor não morre, sobrevive à eternidade
!

domingo, 6 de outubro de 2013

Inverno

Dizem que em nosso país
Não há inverno.
Que acontece então nestes dias?
O calendário marca a estação,
Agasalhos e botas saem das gavetas.
O noticiário sinaliza ondas de frio e catástrofes
Pelo mundo: ventania, árvores caindo
Sobre automóveis e casas.
Prédios ruindo, telhados destruídos,
Destroçados por pedras de gelo.
Água suja inundando residências...
Desabrigados buscando refúgio.
O mundo enlouqueceu?
Onde foi parar a energia elétrica?
Barreiras fecham as estradas
E desabrigados
São conduzidos para escolas e igrejas.
Durante um tempo infindável
Só pedimos que o sol volte a brilhar,
E possa aquecer os corações
Daqueles que precisarão se reconstruir
E reerguer novo lar.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Amor pela natureza

Amemos os pequenos seres, mas também os grandes e assustadores.
Joaninhas, borboletas, libélulas, abelhas,cães, gatos, bois e cavalos... Por que não?
Amemos o perfume das flores que nos rodeiam:rosas, orquídeas, gerânios, margaridas
Dálias, arundinas, bounganviles a enfeitar e colorir este mundo... Por que não?
Amemos toda a vegetação existente: rasteiras, arbustos e as árvores.
Frutíferas ou não, cumprem seu papel: alimentam e dão-nos sombra...Por que não?
Amemos a natureza em sua plenitude: borboletas, sapinhos e afins...
Grandes pássaros, sabiás, bem-te-vis, doces pardais e rolinhas...Por que não?
Amemos o sol, a lua, as estrelas, o mar, a chuva, o vento...
Enfim, tudo que se movimenta à nossa volta,
Disputando espaço, atenção!...Por que não?
Amemos as pessoas dentro de suas próprias características
Cada um de seu jeito... Por que não?


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Vira-latas

Abandonado, trêmulo, estropiado, segue àquele que imagina diminuirá seu sofrimento... Qualquer migalha serve!
As latas de lixo são disputadas... A refeição simples trazida de casa exala odor de alimento preparado com esmero.
O rapaz senta-se no banco da praça e só então  percebe o enorme cão, pele e osso observando-o à distância. Mal sustenta cabeça e pernas.
Compadece-se e divide o almoço. Lança ao chão o alimento, temendo um ataque.
Mas o animal não percebe seu temor. Ataca vorazmente a refeição e enquanto sacia, olha de soslaio o rapaz.
Então, satisfeito, deixa-se acarinhar... Soa o apito!
Assustam-se com ruído ensurdecedor.
Apressam-se a levantar. Terminara o horário do almoço. Muito há que fazer até o final do dia.
Na saída da fábrica percebe: tem companhia para seguir até o cortiço onde reside. Sente-se menos só e seguro afinal.
A figura materna os acolhe: rapaz e animal.
Forra-se com mais jornais a cama improvisada da casinha humilde, porém acolhedora.
Na manhã seguinte lá se vão à lida: mais um dia para os dois.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Meus amores



Ah, o primeiro sorriso!
A troca tímida de olhares, o toque singelo de mãos.
O receio de parecer piegas...
Então o início: o despertar de emoções inenarráveis,
O coração transbordante de afeições antes apenas desejadas...
Início de ciclo: formação familiar e realização de desejos até então utópicos,
Como um lar, filhos, materialização de ideais , sonhos palpáveis enfim!
Sol, mar, lua, estrelas e flores...
Tudo com um quê especial!
Outono, inverno, primavera, verão...
Perderiam o encanto, todo o sentido sem estes quatro elos,
Indispensáveis ao meu existir!