quarta-feira, 26 de novembro de 2014



Sobrevivência

Devo aventurar-me e sair?
Ela estará me esperando?
Com o coração aos pulos corre os olhinhos em volta.
Temeroso, sem avistá-la, esgueira-se então.
Joga o corpo para a esquerda
Acelera e alcança a colina em frente.
Pensamentos em turbilhão
Aperta os passos atento a qualquer movimento.
Logo chegará ao seu destino...
Onde estará?!
Eis que uma sombra acima de sua cabeça
Denuncia a presença alada.
Com um grito de horror, corre desabalado
Para o cantinho protetor: bendita toca!
-Ufa! A gaivota quase me alcançou!
O pequeno caranguejo com as patinhas no peito suspira:
– Não foi desta vez que virei alimento de pássaro!
A gaivota, por sua vez, flana harmoniosamente
Entre céu e mar em busca de comida.

Na testa alva, uma interrogação:
-Eu o vi, tenho certeza! Suculento crustáceo logo ali...
Onde terá se escondido?
Decepcionada, faz uma volta e retorna à procura de alimento.

domingo, 14 de setembro de 2014

Maguila, o gorila

A menina não perdia a oportunidade de assistir ao desenho animado. Era um gorila enorme: marrom, peludo, usava gravata borboleta e uma bermuda com suspensórios... uma gracinha! Aprontava mil e uma diabruras com seu paciente dono, o senhor Peebles.
Geralmente o programa antecedia o horário do colégio. Ágatha então, tomava um banho bem rápido para não perder o desenho, vestia o pequeno roupão de banho sem enxugar-se direito e devorava o almoço... até aquele dia!
Após as traquinagens costumeiras, o grandalhão foi banhar-se cantarolando canção indefinida. Ainda assoviando, apanhou a toalha, pequena demais para seu tamanho, e segurando-a pelas pontas, num arremedo de pular corda, jogou-a para trás e enxugou as costas diante da surpresa de dois olhinhos grudados à tela.
A menina então, ainda molhada, repetiu o gesto e aprendeu finalmente a secar os ombros, ficando finalmente, enxuta por igual. Saiu feliz e na escola contou aos amiguinhos o que havia aprendido na televisão. Percebeu que outros coleguinhas tinham a mesma dificuldade.
A partir daquele dia, encantaram-se ainda mais com o desenho e não mais apresentaram o uniforme úmido. Afinal o Maguila, aquele querido gorila havia-os ensinado (sem saber) a cantarolarem durante o banho diário e principalmente, a enxugarem suas costas.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014






Sem rumo
Onde encontrar poesia?
Em semblantes afáveis, inexpressivos... onde?
Em carrancas assustadoras... normal?!
Na percepção de vida... onde?
Em mãos atadas que não plantam, não colhem?
Em pensamentos fugidios, no espaço lúgubre?
Loucura simples, só.
Na brandura de espírito espezinhado pelo amor... que amor?
Desumanidade. Indiferença.
-Vá maltrapilho pedinte, até o outro lado da rua... vá!
Onde os olhos ignoram as mãos em prece
Estendidas por um pedaço de pão:
- Volte depois, estou sem tempo!
-Um copo de água?..
A porta fecha antes que se fale do cansaço, da fome, da sede...
Apazigua com o roncar de entranhas a esperança
E segue pela estrada que vai dar em lugar nenhum.


segunda-feira, 11 de agosto de 2014







Soldado do coração

O menino nasceu ruivo e branco como uma cera. Logo, os fios foram clareando e tornou-se louro como os primos em sua infância. Quando ainda pequeno, com idade entre dois e quatro anos, desmontava, junto com o irmão, os bonecos de super-heróis que ganhavam: trocavam cabeças, braços e pernas e utilizavam esmalte vermelho (escondidos) vale lembrar, para justificar perdas e ganhos nas lutas com os adversários.
Devido a uma otite recorrente, por não escutar bem, quase não falava. Balbuciava sons decifrados apenas pela mãe e irmãzinha mais velha. Era o protetor do irmão, apesar de mais novo, nas investidas de amiguinhos maiores e mais fortes.
Cresceu disciplinado e curioso, desmontava e consertava as bicicletas que possuíam. Ainda hoje, realiza consertos no lar junto com o pai: chuveiros, encanamentos etc, apesar de atarefado com estudos e trabalho.
Dedica-se muito a especializações dentro de sua área e no próximo ano, estará concluindo a universidade. Dinâmico, centrado, porte atlético, cavalheiro e um belo rapaz, com um vozeirão firme, que em nada, lembra o menininho de fala complicada do passado.
Muito rigoroso com horários, prazos, alimentação e carinhoso com a família. No alistamento militar, torceu para sobrar como reservista, para não atrapalhar seus projetos. Expressa-se bem e é muito querido por todos que o cercam. 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

                                                

Jovem


Amanhece. Não um dia limpo e cálido . Mas frio, de nuvens escuras. Uma chuva fina cai sobre a cidade. 
O que vestir?
 Algo que proteja o corpo gripado, mas não aumente a temperatura em demasia: no metrô sobra calor humano!
 Início de estágio. Quanta ansiedade!
 A aparência não deve ser menosprezada: fazer a barba que cresceu durante o final de semana... Mas a cachorrinha deu-lhe um abraço de boa sorte e uma cabeçada no lábio superior. Se a lâmina piorar o incidente? Deve arriscar? Barba feita. Aspecto sem dúvida, melhor.
 Escolhe um jeans praticamente novo. Vasculha no armário paterno uma camisa social para sobrepor à camiseta juvenil sem estampa. Usa um perfume suave (as meninas reparam).
 Sai apressado rumo ao ponto de ônibus, não sem antes despedir-se de uma mãe orgulhosa que lhe reitera os cuidados fora do lar. Lá vai, rua abaixo, seu menino. 
 Ela então pede aos céus proteção a este moreno cheio de sonhos e expectativas, que com certeza, terá um futuro luminoso.


domingo, 27 de julho de 2014

Minha boneca
De tez alva
Longas madeixas castanhas escuras
Pequenina em tamanho
Gigante em determinação e sabedoria...
Cabecinha de vento?
Jamais.
Centrada em seus objetivos
Sem perder o encanto e ingenuidade
Próprias da idade,
Entrega temores e perigos
Aos anjos do Céu.
Merecedora de cada conquista
Pois não permite que o tempo indolente
Corrompa seus desejos e vai à luta.
Orgulho de você:
Versão aprimorada da criança sonhadora
Que fui outrora.
Seja feliz, sempre!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Maguila, o gorila

A menina não perdia a oportunidade de assistir ao desenho animado. Era um gorila enorme: marrom, peludo, usava gravata borboleta e uma bermuda com suspensórios... uma gracinha! Aprontava mil e uma diabruras com seu paciente dono, o senhor Peebles.
Geralmente o programa antecedia o horário do colégio. Ágatha então, tomava um banho bem rápido para não perder o desenho, vestia o pequeno roupão de banho sem enxugar-se direito e devorava o almoço... até aquele dia!
Após as traquinagens costumeiras, o grandalhão foi banhar-se cantarolando canção indefinida. Ainda assoviando, apanhou a toalha, pequena demais para seu tamanho, e segurando-a pelas pontas, num arremedo de pular corda, jogou-a para trás e enxugou as costas diante da surpresa de dois olhinhos grudados à tela.
A menina então, ainda molhada, repetiu o gesto e aprendeu finalmente a secar os ombros, ficando finalmente, enxuta por igual. Saiu feliz e na escola contou aos amiguinhos o que havia aprendido na televisão. Percebeu que outros coleguinhas tinham a mesma dificuldade.
A partir daquele dia, encantaram-se ainda mais com o desenho e não mais apresentaram o uniforme úmido. Afinal o Maguila, aquele querido gorila havia-os ensinado (sem saber) a cantarolarem durante o banho diário e principalmente, a enxugarem suas costas.

terça-feira, 20 de maio de 2014

                                                      A Vida é Dádiva de Deus
                                                               
      Fomos criados por um ser Supremo e devemos, senão amar, respeitar toda forma de vida.
     Desde pequenos seres como alguns insetos: joaninhas, libélulas e borboletas até as plantas: medicinais, ornamentais e grandes árvores, que são os pulmões do mundo!  E viva as acerolas, figueiras, mamões, abacateiros, romãs, mangas e coqueiros espalhados por aí...
     Há tanta poluição e com a demanda crescente da população, as pobrezinhas acabam derrubadas. Verdade que precisamos de móveis, papéis, carvão e espaço...mas também  precisamos respirar!
     E as flores? Belíssimas orquídeas, rosas, gerânios, margaridas e até belezocas singelas como "onze horas”... encantam, não é mesmo?  
  Que falar então dos passarinhos? Sabiás, bem-te-vis,cambaxirras, pardais e rolinhas...divinos!
      Escrevo sobre a natureza pura e simples: de nossos cães, gatos, bois, cavalos e cabras a belos quintais com suas galinhas e patos a ciscar e fugir de gaviões ...não é encantador aos primeiros raios de sol?
     Quem imagina a chuva fina, sem a aparição de rãs e sapinhos?
Algumas pessoas impacientam-se e outras temem estas inofensivas criaturinhas que também foram  criadas com uma tarefa a cumprir,  como cada um de nós.
     Temos ou não de cuidar do planeta?
     Por isso amemos a lua, o sol, o mar, chuva, o vento...
     Amemos todo ser vivo, pois a vida é dádiva de Deus!
     Os seres viventes disputam um lugar em nossas vidas e corações!




domingo, 19 de janeiro de 2014

                         Minha Mãe

           Quero falar de um amor que todos temos e nem sempre damos o devido valor... Falar das lutas e dificuldades de ser mãe. Pode parecer fácil, mas este tema é bem complexo. Filhos não vem com manual de instruções. Não podemos devolvê-los ou trocá-los se apresentarem um defeitinho. E realmente, por mais piegas que pareça, só descobrimos o real significado quando nos tornamos mães.

           Quando criança, lembro com saudade de minha mãe dançando comigo e mais sete irmãos no meio da sala. Quando nos cansávamos, ficávamos a observá-la bailar ao som da vitrola sem se cansar. Todas as trilhas sonoras lançadas pelas gravadoras a cada nova novela, eram trazidas por um pai orgulhoso e ávido por agradá-la. Meu pai , Deus o tenha, não gostava de dançar, e quando o fazia, trazia a mão colada à barriguinha e a outra ao alto. Mas gostava de ver nossa mãe dançando ali, ao alcance de suas mãos...No carnaval, meses antes da festa, ele trazia o LP das escolas de samba daquele ano e nos três dias de festa, um fio descia do quinto andar ao térreo de nosso prédio e duas caixas de som embalavam o ritmo e as letras dos sambas de todas as escolas na ponta da língua daquela criançada. Eu e meus irmãos  nos acabávamos de sambar até altas horas junto com vizinhos e amigos.

         No mês de julho nossa mãe reunia as vizinhas e preparavam uma enorme e farta mesa com tudo o que tínhamos direito e mais um pouco: canjica, pés-de-moleque, bolo de fubá e doces próprios da época. Havia a quadrilha, o casamento...Tudo em volta de belíssima fogueira arrumada com esmero por Seu Hildebrando (também nos céus).

         Minha mãe sempre ajudou meu pai em todas as despesas. Fazia limpeza, lavava e passava para fora. Mesmo adoentada, costurava para uma fábrica de tecidos, montava flores para uma floricultura em Vila Kosmos... Lembro das vezes em que , pálida de dor ou mal-estar descia as escadarias do prédio na lavação de final de semana. Nada a fazia parar. Sempre foi batalhadora.

         Sempre tivemos nossas diferenças, mas sei que fazem parte de nossa história de vida. Hoje somos todos adultos e temos nossas próprias famílias. E se nos pegamos a reclamar desta ou daquela arte que nossos filhotes aprontam,  lembramo-nos que Dona Francisca e Seu Paulo curtiram um dobrado com seus oito filhos. Enquanto tantos jovens não aproveitam a oportunidade de estudar, vejo minha mãe com seu caderninho dirigindo-se à igreja para sua aula de alfabetização toda orgulhosa. Nunca imaginei que fosse gostar de crochê, mas vive às voltas com suas linhas e agulhas. Dona Francisca curte seus netos e bisnetos, suas plantas e sua casinha...Tenho orgulho desta lutadora!