A velhinha sapeca
Certo dia, caminhando para o trabalho, encontrei uma senhorinha que aparentava aproximadamente uns sessenta e poucos anos. Observei-a , cumprimentando-a com um sorriso e aceno de cabeça... Tenho a mania de cumprimentar motoristas, ascensoristas, entregadores, e todos aqueles que passam a impressão de serem humildes e educados. Alguns, a bem da verdade, sequer retribuem, mas como faço o que me manda o coração, pouco me importo.
Acontece que esta senhora não só retribuiu de forma cortês, como caminhou até a parada de ônibus a que me dirigia e entabulou conversa. Falou sobre os filhos, as noras e netos e terminou contando-me que frequentava, junto com amigas, um barzinho com karaokê. Senti uma pontinha de inveja, pois apesar de gostar de cantar no chuveiro, na lavagem de roupas e afazeres domésticos, percebi que ela realmente se divertia. Eu trabalhava ouvindo músicas para suavizar as tarefas rotineiras de casa, somente.
Quando a conversa progredia, seu ônibus passou. Ela fez sinal e deixou-me com um aceno e desejo de um fim de semana relaxante. Fiquei durante algum tempo, imaginando a vida dela.
Apesar de idosa, tinha uma agilidade de atleta e postura melhor que a de muitas jovens que conheço. Sou muito sedentária. Meu coletivo enfim chegou e embarquei rumo ao trabalho e repensando minha atitude conformista. Sendo mais nova, o que me impedia de cuidar mais de mim, de alegrar-me com pequenos prazeres e sorrir de mim mesma? Aquela senhorinha maquiada, bonitinha e gentil, despertou em mim, o desejo de melhorar e é exatamente o que farei a partir de agora. Como não crescerei mais, ao envelhecer, quero ser como esta ilustre desconhecida.

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